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Tenho pouco sono, mas não é insônia - é simplesmente pouco sono. Não raro, varo madrugadas e adormeço quando o restante da cidade desperta. Gosto da paz e do silêncio da noite. Não sou alguém difícil de se lidar, mas também não me acho a pessoa mais normal do mundo. No entanto, de perto, ninguém é mesmo. E, também, como diz o outro, não há nada mais entediante do que ser normal. Tenho o coração bom; não quero o mal de ninguém, nunca fiz mal a outra pessoa, mesmo quando tive chance. Só faço - ou procuro fazer - o bem por onde passo, e uma parcela do que Deus me dá, eu devolvo ao mundo como retribuição e agradecimento. Não costumo me envolver em brigas. Não por medo, nem por nada; simplesmente as confusões passam longe de mim. Os céticos chamariam de coincidência, os crédulos de proteção. Tenho uma capacidade bem peculiar de conseguir ler nas entrelinhas das pessoas; percebo sutilezas e nuances, e capto no ar intenções, pensamentos e comportamentos que geralmente as pessoas pensam que ninguém está percebendo. Por isso - e aqui dispenso a falsa modéstia - eu geralmente sei bem mais daqueles que me circundam do que imaginam. Dissimular e mentir pra mim é uma tarefa bem difícil, e às vezes eu somente finjo que não sei - mas eu sei. Rio de coisas bobas, e embora chore muito pouco, às vezes pequenos atos de bondade me comovem. Acredito que a felicidade constante não existe; seria impossível, cansativo e estressante tentar manter um estado permanente de felicidade. O que move o ser humano é a dualidade; portanto há que se existir escuridão para que haja luz; tem de haver silêncio para que o som nele reverbere. Portanto, minha crença é de que precisamos, de vez em quando, passar por alguns dissabores para entendermos o que é a felicidade, pois sem a referência da dor, é impossível identificar o prazer. A capacidade de rir de nós mesmos, minimizando nossos fracassos e aumentando o valor de nossas conquistas, ajuda bastante a enfrentar os dissabores dos quais falei acima. Tente. Dá muito certo. Experiência própria. Detesto injustiças. Compro brigas que não são minhas quando presencio alguma e vou às vezes às últimas consequências, por piores que elas sejam ou possam parecer no momento. Não tolero crueldade com animais. Fico escandalizado até hoje em com a falsidade e a maldade dos homens, principalmente por ter mais facilidade em percebê-las; mas acredito que a humanidade tem cura. Acredito que a raiz do maior mal que assola as pessoas é a mediocridade: nada mais é danoso, patético e triste do que ser medíocre. Por isso, fuja, escape, evite-a de todas as formas : ao invés das águas rasas, mergulhe nas profundas; ao invés da superficialidade, procure o que há nas profundezas. Ao invés de olhar para o chão, quando no máximo você enxergará somente seus pés, erga a cabeça e olhe para o céu, nem que pra isso te chamem de nariz empinado(a). Mas, POR FAVOR, não seja medíocre, não seja comum e ordinário(a), corra dos padrões estabelecidos, destaque-se na multidão sem face. JAMAIS deixe a mediocridade contaminar você, pois ela, sim, não tem cura.
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