Cão magro, vadio,
Focinho comprido;
De pernas pendentes,
Olhar compungido
De quem vai pedir.
Esqueleto a mostra
Nas noites de lua,
Ansioso, procura
Nos fundos da rua
Um osso qualquer.
Tem medo de tudo
E foge assustado,
Sentindo lambadas
No pêlo surrado,
Ganindo de dor.
É cão vira-lata
Não usa coleira;
É livre e feliz...
Sem eira nem beira,
Sem dono também.
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